Menu

“Escola Sem Partido” avança na Alemanha

20 NOV 2018
20 de Novembro de 2018

Estudantes ganham espaço virtual para denunciar professores que tentam doutrinar politicamente



Houve um grande debate na Alemanha depois que sites com o nome Neutrale Schulen (Escolas Neutras, em português) foram abertos por um partido político de direita, no mês de setembro.

A iniciativa permite que estudantes denunciem professores que expressem sua opinião política durante as aulas. Além de Hamburgo, iniciativas semelhantes já existem em Berlim, Saxônia, Brandenburg e Baden-Württemberg.

A ideia é semelhante ao Escola Sem Partido (ESP), no Brasil, criado pelo advogado Miguel Nagib e apoiado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro. No caso do ESP, um cartaz seria afixado em sala de aula para lembrar aos alunos sobre os “deveres” dos professores e do direito que eles têm de não serem “doutrinados”.

O que significa ser “neutro”

De acordo com a Central Nacional de Educação Política (lpb) da Alemanha, o requisito de neutralidade, adotado desde 1976 nas escolas do país, prevê em seus componentes básicos: “uma proibição da doutrinação e um preceito de apresentar fatos politicamente controversos de forma a capacitar os alunos a desenvolver o seu próprio julgamento sobre temas políticos”.

“Aparentemente, nem todas as diretorias escolares perceberam que a obrigação de neutralidade político-partidária na sala de aula não implica restrição da liberdade de expressão dos professores”, citou Kevin Kühnert, porta-voz de política escolar do Partido Social-Democrata em Berlim.

Em entrevista ao BBC News Brasil, Franz Kerker, membro do AfD no parlamento estadual de Berlim, afirmou: “Lançamos o site porque recebemos diversas reclamações de pais e estudantes sobre professores difamando o AfD como extremista ou mesmo nazista. Alguns até dão aos alunos informações erradas sobre nosso programa político”.

Oposição

Em reunião já no início de outubro, o presidente da Conferência dos Secretários de Educação e Cultura da Alemanha (KMK), Helmut Holter, criticou a iniciativa do partido “Alternativa para a Alemanha” (AfD, sigla em inglês). Com 92 cadeiras, esse partido tornou-se a principal força de oposição à coalização da chanceler Angela Merkel.

“Por razões atuais, nos posicionamos decididamente contra portais de internet em que alunos devam supostamente denunciar seus professores devido à alegada influência política”, afirmou Holter durante o encontro em Berlim. Para o político, isso seria péssimo para o clima escolar.

“Devido à nossa história é compreensível que AfD e outros partidos de direita estejam sendo observados. O AfD colabora de perto com alguns movimentos neonazistas. É correto que os professores sejam muito sensíveis em relação à extrema-direita”, disse Sybille Volkholz, que é especialista em educação e ex-senadora pelo Partido Verde para Escola.

Para a ministra alemã da Justiça, Katarina Barley, a denúncia organizada é um “instrumento das ditaduras”. Mas para o Afd, a iniciativa fortalece o discurso democrático e livre. “Queremos esclarecer de forma abrangente sobre a legislação que envolve o requisito de neutralidade”.



Fonte: gospelprime

Voltar

Fale Conosco:  (61) 3451-7200

Onde Estamos:  QSF AE 4/5
Taguatinga Sul, Brasília/DF

Tenha também o seu site. É grátis!